quarta-feira, 13 de maio de 2009

Resumo – Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano


Neste pequeno artigo a escritora Lúcia Santaella apresenta suas ideias em relação ao desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação e sua implicação em todas as esferas da sociedade. Utilizando como base dois de seus livros, o recém-lançado Cultura e Artes do Pós-Humano (2003) e o Cultura das Mídias lançado em 1992. Sendo o último considerado um aprimoramento das ideias defendidas no primeiro.
Ao usar pela primeira vez o termo “mídias” foi considerada ousada e nem mesmo ela sabia exatamente o que queria dizer com isso. Como o passar dos anos e com a mudança ocorrida na sociedade, em todos os seus aspectos, em decorrendo das novas tecnologias de informação que ia surgindo, foi possível definir melhor o que exatamente vem a ser a cultura de mídias. É uma cultura localizada entre a cultura de massas e a cultura virtual ou cibercultura. Isto quer dizer que a cultua virtual não surgiu diretamente da cultura de massas, foi sendo construída através de processos de produção, distribuição e consumo comunicacionais também chamados de “cultura das mídias”.
A passagem feita de uma cultura a outra pode ser denominada de eras culturais que são divididas em seis categorias: a cultural oral, a cultural escrita, a cultural impresa, a cultural de massas, a cultural das mídias e a cultual digital. Estas divisões são pautadas na ideia de que os meios de comunicação, desde o fonador até as redes digitais atuais, são meros canais para a transmissão de informação. Fato este que deixa claro que as transformações culturais não ocorrem apenas por avanços na tecnologia mas também pela influência que estes meios sofrem de novos signos, tipos de mensagens e processos de comunicação. Ocorrencia derivada dos reajustamentos e refuncionalixações ocorridas de uma cultura para a outra, resultando na integração entre as formações culturais (como Lúcia Santaella preferi chamar as ditas eras culturais).
Por afirmar que a separação entre o meio e a mensagem é algo praticamente impossível de ocorrer, fazendo das duas funções uma, a autora se comparar com McLuhan, autor da célebre provocação O meio é a mensagem, de 1964, que dizia basicamente a mesma coisa que ela disse agora só que em um tempo onde as pessoas não tiham o mesmo entendimento que temos hoje sobre a cultura de mídias.
As mídias são os meios por onde a mensagem passa, por serem meios são apenas canais físicos, suporte materiais, nos quais as linguagens tornam forma e através dos quais transitam. Acaba por ficar como um componente mais superficial, no sentido de ser o primeiro a aparecer no processo comunicativo. Chegariam a estar vazios de sentido se não fossem a mensagem que trazem. Mas nem por isso deixam de ser importantes pois são eles os respondáveis pelo crescimento e multiplicação dos códigos e linguagens.
Dentro deste contexto a autora passa a avaliar o que exatamente significa a cultura das mídias. Fica claro que o “boom” tecnológico ocorrido em meados de 1980 causou uma grande transformação na sociedade. O surgimento e a dissiminação no mercado de aparelhos que oferecem o disponível e o transitório entra em alta. Trazendo uma toda uma nova linguagem, tecnologia e aparelhos criados especialmente para veicular neste meio. Que tem como principal caracteristica propiciar a escolha e o consumo individualizado, em oposição ao consumo masivo.
É neste cenário que acontece a proliferação midiática, provocada pelo surgimento de meios nos quais as mensagens tendem para a segmentação e diversificação, e a hibridização das mensagens, decorrente da mistura entre os meios, por causa da sua sincronicidade esse fatores foram pauta de debates acaloradas nos anos 80 sobre a pós-modernidade.
“[...] A nova mídia não é mais mídia de massa no sentido tradicional do envio de um número limitado de mensagens a uma audiência homogênea de massa. Devido à mutiplicação de mensagens e fontes, a própria audiência visada torna-se mais seletiva. A audiência visada tende a escolher suas mensagens, assim aprofundando sua seg-mentação, intensificando o relacionamento individual entre o emissor e o receptor” – trecho extraído de um artigo, escrito em 1985, de F. Sabbah.
Créditos da digitação de Luana Ferrari-Porche! =)
Trupe JuCaMaLu

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